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  • Foto do escritorPauliane Oliveira

Vamos falar sobre carteira de recebíveis como lastro em operações estruturadas?



O Valor Econômico noticiou que fintechs sofrem com inadimplência de mais de 60% em empréstimos sem garantia e apontou uma preocupação crescente em relação à qualidade das carteiras de recebíveis incluídas nos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) disponíveis no mercado.


Apesar de a notícia dar conta que a maior parte do mercado de FIDC é saudável, ela também traz dados da Uqbar, mostrando a relevância dessas operações que, em janeiro deste ano, chegavam a R$ 454 bilhões em ativos.


No mercado financeiro, os FIDCs desempenham um papel importante ao permitir a securitização de recebíveis, transformando-os em títulos negociáveis. A qualidade das carteiras de recebíveis que servem como lastro para esses fundos é crucial para garantir a solidez e a rentabilidade das operações estruturadas. É importante notar que a gestão eficaz desses recebíveis vai além da sua simples avaliação no momento da inclusão em uma operação. A contínua monitorização e adaptação dessas carteiras são essenciais para mitigar riscos e garantir a performance desejada.


No caso específico do agronegócio, as fintechs desempenham um papel significativo ao facilitar o acesso ao crédito para produtores rurais. No entanto, é necessário reconhecer os desafios únicos enfrentados nesse setor, como a sazonalidade, a volatilidade dos preços das commodities e os riscos climáticos. A avaliação adequada do risco associado aos recebíveis no agronegócio requer um entendimento profundo desses fatores e a implementação de modelos de análise de crédito robustos e adaptáveis.


É importante ressaltar, no entanto, que a presença de fintechs no agronegócio não deve ser encarada de forma negativa. Pelo contrário, essas empresas têm potencial para impulsionar a inclusão financeira e o desenvolvimento econômico no agro. No entanto, é fundamental que atuem com responsabilidade e transparência, garantindo a adequada gestão dos recebíveis e a mitigação dos riscos associados.


Além disso, a avaliação das carteiras de recebíveis para inclusão em operações estruturadas deve ser realizada com diligência e expertise. A seleção criteriosa dos ativos, aliada a uma gestão proativa durante o prazo da operação, são elementos essenciais para garantir a sustentabilidade e o sucesso das estruturas de financiamento.


A reportagem do Valor Econômico informa que o que agrava ainda a mais a inadimplência é que as fintechs não têm os mesmos mecanismos de cobrança de dívidas que os grandes bancos. Com isso, inovação na gestão dos recebíveis no momento de recuperar o crédito se torna essencial. As fintechs precisam desenvolver estratégias e ferramentas eficazes que permitam uma abordagem mais proativa e personalizada na recuperação de créditos em situação de inadimplência. Isso pode envolver o uso de algoritmos avançados de análise de dados, a adoção de técnicas de machine learning e a implementação de modelos de recuperação de crédito baseados em comportamento do devedor produtor rural, por exemplo.


Para tanto, é importante que essa inovação seja guiada por uma compreensão profunda das nuances do agronegócio e das particularidades dos produtores rurais. As fintechs devem estar atentas às demandas e necessidades do setor, adaptando suas práticas e soluções de acordo com o ambiente operacional e regulatório em que estão inseridas. Essa abordagem orientada para o contexto específico do agronegócio é essencial para garantir a eficácia e a relevância das soluções oferecidas pelas fintechs nesse setor dinâmico e complexo.



Em última análise, a busca pela inovação na gestão de recebíveis no agronegócio não é apenas uma questão de competitividade, mas também de responsabilidade para com os investidores e de efetividade para com os clientes. Ao adotar uma abordagem inovadora e orientada para o futuro, as fintechs não apenas fortalecem suas próprias atividades, mas também têm o potencial de transformar positivamente os negócios dos produtores rurais que dependem do crédito disponibilizado por essas empresas. Essa busca contínua pela inovação não apenas impulsiona o crescimento econômico, mas também promove o desenvolvimento sustentável e inclusivo do agronegócio, beneficiando toda a cadeia produtiva e a economia como um todo.



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