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  • Foto do escritorPauliane Oliveira

FIAGRO REORG: Alternativa Estratégica (possível?) à Recuperação Judicial no Agronegócio

O setor agrícola brasileiro está em constante busca por soluções financeiras inovadoras, visando atender às suas especificidades e desafios únicos. Dentro desse esforço contínuo, destaca-se o lançamento do FIAGRO REORG (Reorganização do Crédito), uma iniciativa conjunta da Câmara Temática de Modernização do Crédito e Instrumentos de Gestão de Risco do Agronegócio e do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA). Este instrumento surge como uma alternativa estratégica às convencionais recuperações judiciais, oferecendo uma nova perspectiva para o manejo de crises financeiras no setor.


De maneira ampla, os Fundos de Investimento são constituídos pela reunião de capitais de diversos investidores, os quais optam por confiar a gestão desses recursos a um especialista. Esse gestor profissional é responsável por tomar decisões estratégicas sobre onde investir o capital coletivo, com o objetivo de reduzir custos operacionais e aumentar a proteção e o crescimento do patrimônio compartilhado. Quanto aos FIAGROs – Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais, dentre as características que os diferenciam dos demais fundos pode-se apontar a diversificação, por englobar diferentes ativos do mercado agroindustrial e a facilidade na operação.


Já o recém pensado FIAGRO REORG se comporta para além de um Fundo de Investimento, se propõe a ser, a contrassenso, uma ferramenta para facilitar a renegociação de dívidas e a reestruturação financeira de empreendimentos com alto grau de alavancagem. Ele propõe uma abordagem que vai além e incentiva a mediação e a negociação precoce entre credores e devedores, com o objetivo de substituir garantias patrimoniais por quotas do FIAGRO. Isso não apenas atrai investidores com a promessa de retornos atraentes, mas também visa criar um cenário de ganhos mútuos, garantindo segurança para os credores e condições mais favoráveis para os agricultores.


Contudo, essa inovação traz consigo uma questão que eu diria como sendo fundamental: há ambiente propício para essa abordagem de composição amigável antes de as partes recorrerem à justiça? O sucesso do FIAGRO REORG depende de habilidades comportamentais avançadas, como empatia, comunicação eficaz e capacidade de negociação. Essas competências são essenciais para facilitar o diálogo e encontrar soluções consensuais, que transcendem a aplicação de conhecimentos técnicos para estruturar e colocar um Fundo de Investimento de pé.


David Télio, Diretor de Novas Estruturas Financeiras e sempre sábio, numa contribuição valiosa durante a citada reunião extraordinária da Câmara, sugeriu que o FIAGRO REORG seja considerado até mesmo após a instauração de um pedido de recuperação judicial. Tal ideia é extremamente viável e encontra respaldo ao ser apresentada em um momento que as partes estão mais abertas a refletir sobre os custos e ônus de um processo judicial, incentivando-as a estarem mais abertas à negociação e ao acordo.

O potencial do FIAGRO REORG para transformar a gestão de crises financeiras no agronegócio é indiscutível. Porém, sua eficácia está diretamente ligada à capacidade dos agentes do setor de adotarem novas atitudes e habilidades. O desafio proposto é significativo: os agentes do agronegócio devem cultivar, agora mais do que nunca, não apenas as terras, mas também as competências interpessoais e de negociação, cruciais para a navegação neste novo âmbito.

Clique aqui para baixar a cartilha elaborada pelo IBDA.


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